o blogue acaba aqui*
silêncio ensurdecedor
nada mais do que simples palavras
Domingo, Março 06, 2011
the end
as palavras estilhaçaram de vez. e nada há que possa fazer senão deixá-las ir de encontro a ti e dizer-te que foste causa e efeito. foste a medida das coisas.
Sexta-feira, Janeiro 21, 2011
a pele desfaz-se no vento gelado de leste
e parece que o caminho não acaba
(os quilómetros duram mais do que uma vida
mais do que todas as perguntas
mais do que aquilo que aguentamos)
o sol que desponta nas mãos enregeladas
faz-me encontrar resquícios do teu cheiro na minha pele
e de novo buscar o teu nome nas palavras revoltas
levas-me?
Terça-feira, Janeiro 18, 2011
entre copos de vinho vago
(destilaria de palavras que soçobram na rouquidão deste silêncio)
desenho os contornos da tua pele, a sangue e fogo,
em folhas de papel que se esvaem pelo chão vazio
a tarde é sombria,
espectro dos dias a que a distância nos acometeu
ao longe apagam-se os sons do verão que nos teve
sem que a tragicidade dos vincos que me enrugam as mãos
se acostume
sem que a palidez a que se votaram as pupilas
viva (ou morra)
na ausência que se deita nos quilómetros
a espera senta-se sob as chuvas caiadas
tempestades que não passam
horas que não sobrevivem
e ao longe os ponteiros ditam que voltes
que voltes
que voltes
(destilaria de palavras que soçobram na rouquidão deste silêncio)
desenho os contornos da tua pele, a sangue e fogo,
em folhas de papel que se esvaem pelo chão vazio
a tarde é sombria,
espectro dos dias a que a distância nos acometeu
ao longe apagam-se os sons do verão que nos teve
sem que a tragicidade dos vincos que me enrugam as mãos
se acostume
sem que a palidez a que se votaram as pupilas
viva (ou morra)
na ausência que se deita nos quilómetros
a espera senta-se sob as chuvas caiadas
tempestades que não passam
horas que não sobrevivem
e ao longe os ponteiros ditam que voltes
que voltes
que voltes
Segunda-feira, Janeiro 17, 2011
de novo tento lavar as palavraspara que te cheguem puras e simples como os aguaceiros deste inverno
para que, ao desfiares as linhas que te escrevo,
se vertam a saudade e o desejo
a lucidez e a loucura que se misturam nas lágrimas
para que se afoguem as mágoas
e se alongue a esperança
para que nasçam novos dias de sorrisos teus no meu peito.
de novo tento mantê-las quentes, doces
para que aconcheguem os nossos ouvidos
no tom de voz que te lembro e que ecoa no meu cérebro
e assim se combate a insanidade das horas em que te perco
nesta neblina que teima em toldar a cidade
(apagada sem o azul dos teus olhos)
Domingo, Dezembro 12, 2010
Quinta-feira, Outubro 28, 2010
tu
às vezes esqueço-me de como as palavras caem no silêncio concavo da dobra que se forma entre as minhas costas e o teu peito. deixo que os sorrisos deslizem pela tua pele até chegarem à minha boca e brotarem em gargalhadas. a cada gota de suor, o cérebro teima em omitir se são lágrimas ou chuva aquilo que sentimos. e no embaciado dos livros, onde te escrevo poemas, desenha-se a nossa estória, dedada a dedada. embalas-me no hálito morno dos lençóis, e nada faz tanto sentido como o o subir e descer lento da tua respiração sobre o meu corpo. acordas-me as pálpebras lentamente, como quem desafia os ponteiros do relógio e atrasa as horas que nos separam.
jamais a distância será maior que os nossos dedos ligados. jamais a minha pele deixará de ter tatuada a tua.
Quinta-feira, Setembro 30, 2010
as palavras caem-me como facas afiadas
desfazendo-se em pó na ondulação do vento de outono
queria amarrar as mãos ao papel
e os olhos às vidraças
para que nem um momento me fugisse
para que a alma não se desfizesse de encontro às portadas entreabertas
enrolo os cabelos em torno do pescoço
requebro as costas e procuro as gargalhadas que não dou
que nunca dei
e perco-me
de novo
e de novo
e de novo
até não saber onde acaba a minha vida e começa a tua
onde acabam as minhas lágrimas e começa a chuva
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