
dá-me a tua mão
sob as brisas insanas de Novembro
deixa o tempo cair sobre os nossos corpos
e esquece o carrossel de rostos que nos invade o pensamento
a sombra dos teus lábios trava-me as palavras
os teus beijos libertam rios de chuvas matinais
nevoeiros nossos pairando sobre a cidade
o teu braço puxa-me para amanhã
rasgam-me a pele os teus olhos
e há séculos que se desfazem sobre o meu peito aberto
(limpando a idade dos poros gastos
epiderme retumbante onde te deitas)
recolhe as cinzas do fogo em que nos consumimos
antes que o vento de novo nos incendeie
a saudade está morna ainda